Campanha da Fraternidade

Caridade

CAMPANHA DA FRATERNIDADE
A Campanha da Fraternidade nasceu por iniciativa de Dom Eugênio de Araújo Sales, em Nísia Floresta, Arquidiocese de Natal, RN, como expressão da caridade e da solidariedade em favor da dignidade da pessoa humana, dos filhos e filhas de Deus.

Assumida pelas Igrejas Particulares da Igreja no Brasil, a Campanha da Fraternidade tornou-se expressão de comunhão, conversão e partilha. Comunhão na busca de construir uma verdadeira fraternidade; conversão na tentativa de deixar-se transformar pela vida fecundada pelo Evangelho; partilha como visibilização do Reino de Deus que recorda a ação da fé, o esforço do amor, a constância na esperança em Cristo Jesus (Cf. 1Ts 1,3).

A Campanha da Fraternidade tem hoje os seguintes objetivos permanentes:
1 – Despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum;
2 – Educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho;
3 – Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja)”.

A coleta da Campanha realizada como um dos gestos concretos de conversão quaresmal tem realizado um bem imenso no cuidado para com os pobres.

Ao percorrermos o itinerário da Campanha que nossos irmãos nos prepararam, possamos continuar seguindo Cristo, caminho, verdade e vida (Cf. Jo 14,6).

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Existe oracao ineficaz?

orando a DeusEspiritualidadeVida de oraçãoVIDA DE ORAÇÃO Existe oração ineficaz?

SEXTA-FEIRA, 27 DE FEVEREIRO DE 2015, 0H00 MODIFICADO: SEXTA-FEIRA, 27 DE FEVEREIRO DE 2015, 8H29

Na oração, encontramo-nos com o Amigo

Sabiamente disse o Papa Francisco: “A oração muda nosso coração, faz-nos compreender melhor como é o nosso Deus. Mas para isso é importante falar com o Senhor não com palavras vazias, mas com a realidade”, e, diante dessa realidade, nos perguntarmos: “Existe oração ineficaz?”.

Muitos são os pedidos que acompanhama oração. Muitos pedem a Deus o restabelecimento da saúde de alguém que se encontra enfermo. Outros ainda pedem que o namorado ou a namorada volte após um rompimento. Tais pedidos acompanham os momentos de oração e cada um deles traz em si uma angústia que determinada pessoa vive na vida.

Quando nos recolhemos em oração, trazemos conosco tudo aquilo que vivemos. Nossa vida e os seus mais diversos desdobramentos são matéria-prima para o diálogo com Deus. Ao encontrar um amigo, partilhamos com ele a nossa vida. Desde os acontecimentos mais simples e banais até os fatos mais complexos e problemáticos. Deus é nosso amigo, nosso confidente, nossa resposta diante das angústias existenciais.

Se com um amigo partilhamos a vida, que dirá com Deus, o nosso maior e melhor Amigo! Cada pessoa tem suas dores e alegrias, e as leva consigo em seus momentos de oração. Não nos cabe julgar aquilo que parece ser futilidade aos nossos olhos, pois cada um sabe o peso daquilo que sua alma carrega. Deus, em Sua infinita misericórdia, saberá compreender aquilo que ao nosso parecer pode se apresentar como fútil.

A resposta a cada oração dependerá da vontade do Senhor para a vida de cada pessoa. Deus tem os Seus planos para cada ser humano, e, muitas vezes, os nossos planos e projetos não são aqueles que Ele sonhou para nós. Caberá a cada pessoa observar a delicadeza das respostas do Senhor no cotidiano da vida, ver nos acontecimentos simples Suas respostas extraordinárias.

Não podemos dizer que existe oração ineficaz, mas que as respostas de Deus podem ser aquelas que não esperamos receber. Um amigo, quando verdadeiro, saberá dizer-nos com sinceridade quando não concorda com nosso ponto de vista e colocará as suas opiniões. Muitas vezes, ouvir tais opiniões não nos faz bem, contudo, o amigo verdadeiro quer o nosso bem.

Deus também nos escuta com amor, mesmo que aos olhos humanos nossas súplicas pareçam desnecessárias. Mas ouvir não significa atender. Deus sabe o que é bom para nós, e não se deixa levar por caprichos humanos. Ele atende as preces segundo as necessidades reais de cada pessoa.

Na oração, encontramo-nos com o Amigo que nos ouve com amor e nos atende segundo Seu coração. Não tenhamos medo de nos aproximarmos de Deus, mas aprendamos a colher Suas respostas com delicadeza e sem revoltas. Deus quer o nosso bem, mesmo que, a princípio, não compreendamos o que Ele nos fala.

Padre Flávio Sobreiro
Padre Flávio Sobreiro Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP. Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre – MG. Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Carmo (Cambuí-MG). Padre da Arquidiocese de Pouso Alegre – MG. Página pessoal do padre Flávio na internet. Perfil no Facebook

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Gotas de Sao Maximiliano Kolbe

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Ainda tenho na memória a visita ao campo de concentração em Auschwitz. Foi lá que um homem, chamado Maximiliano Kolbe, teve a coragem de se apresentar para substituir outro homem condenado à morte. Terminava assim a heróica existência do grande homem Maximiliano Kolbe, que praticamente começou a sua aventura quando a mãe de Deus doou a ele duas coroas de flores. Uma branca e outra vermelha. Mas, o que elas significavam? O então menino não podia entender seu significado, mas na sua generosidade e no seu amor, disse à Virgem Maria: “Eu as quero!”.

Durante a vida, ele conheceu o significado dessas duas coroas. Elas significavam uma total consagração a Deus pelas nas mãos da Imaculada. Uma consagração levada ao heroísmo, ao ponto de fazê-lo dar a sua vida, testemunhando o quanto o amor é importante.

Maria Santíssima conduziu este seu apóstolo durante uma vida rica em santidade, e cujo destino era a evangelização. Justamente nesse mês, celebramos a Assunção de Nossa Senhora, que praticamente coincidiu com a oferta total da vida do seu filho Maximiliano Kolbe. Parece que tudo estava marcado na véspera dessa grande festa mariana. A mãe do céu levou consigo o seu filho, o seu lutador, o seu grande missionário.

Você também faz parte dessa história e pode não somente imitar este grande santo, mas também responder com generosidade. A vida de Maximiliano mostrou o quanto a Milícia da Imaculada é importante. Segundo seu pensamento, trata-se da obra mais ousada para evangelizar sob a proteção e mediação de Nossa Senhora.

Por isso, diariamente, ouça “Gotas de São Maximiliano Kolbe“, uma reflexão sobre os pensamentos do fundador da obra da Milícia da Imaculada.

Frei Sebastião Benito Quaglio
Presidente da Milícia da Imaculada

Fonte: Revista “O Mílite” de Agosto/2012, Número 258 – pág. 21

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Vamos pedir a Deus a bencao das chuvas?

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo
Aos Leigos, Religiosos/as Diáconos, Padres e Bispos Auxiliares Arquidiocese de São Paulo
Caríssimos/as

São Paulo, 27.02.2015
Vamos pedir a Deus a bênção das chuvas? Muitas pessoas me perguntaram, se a Arquidiocese de São Paulo não promoveria a oração ou uma procissão para pedir a Deus a bênção de boas chuvas… De fato a água não pode faltar na Região e na cidade de São Paulo.
Portanto, tendo em vista a gravidade da atual crise hídrica, e contando com o apoio dos bispos auxiliares, decidimos realizar na arquidiocese de São Paulo uma manifestação religiosa especial para suplicar a Deus a bênção de chuvas generosas.
Faremos isso no Domingo, dia 22 de março próximo, quando também se comemora o Dia Mundial da Água.
A procissão, no contexto da Quaresma, terá um caráter penitencial, ao mesmo tempo que suplicamos a bênção de boas chuvas, tão necessárias. Também será um momento propício para a conscientização sobre o uso correto e sustentável da água.
Não é a primeira vez que se faz isso em São Paulo; em diversos momentos da história da Cidade, o povo saiu às ruas, em oração e procissão, para pedir chuvas; a última grande manifestação nesse sentido aconteceu em 1957, quando o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta saiu à frente da procissão, com muito povo, carregando a imagem de Nossa Senhora da Penha, do seu Santuário na Penha até à Catedral da Sé.
Portanto, convido todos a participarem da procissão no Domingo, 22 de março; a concentração para o início da procissão será às 15h, em frente à igreja da Consolação; de lá sairemos, carregando a imagem de Nossa Senhora da Penha, Padroeira da Cidade de São Paulo, e de São José, na direção da Praça da Sé, passando pelo Viaduto do Chá e em frente à Prefeitura; depois do Largo São Francisco, chegaremos à Praça da Sé, para a celebração da Santa Missa por volta das 17h00.
Recomendo que levem todos uma garrafinha de água para beber e para receber a bênção da água. Podem ser feitas faixas com dizeres religiosos sobre a água, ou com frases educativas sobre o bom uso da água.

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Em catequese, papa Francisco pede aos pais que sejam dóceis e firmes

 

QUARTA, 04 FEVEREIRO 2015 13:38 CNBB

Em continuidade às catequeses sobre a família, o papa Francisco retomou a importância figura do pai, na reflexão desta quarta-feira, 4. Na semana passada, Francisco falou da “ausência paterna” e as consequências na vida dos filhos.

“A primeira necessidade, então, é justamente essa: que o pai seja presença na família. Que seja próximo à mulher, para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças. E que seja próximo aos filhos em seu crescimento”, disse Francisco.

Ainda, durante a catequese, o papa explicou que “os filhos precisam encontrar um pai que os espera quando retornam dos seus insucessos. Farão de tudo para não admitir isso, para não deixarem ver, mas precisam; e não encontrar isso abre feridas difíceis de curar”.

Confira a catequese na íntegra:

CATEQUESE

Sala Paulo VI – Vaticano

Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Boletim da Santa Sé

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de desenvolver a segunda parte da reflexão sobre a figura do pai na família. Na vez passada, falei do perigo dos pais “ausentes”, hoje quero olhar ao aspecto positivo. Também São José foi tentado a deixar Maria, quando descobriu que estava grávida: mas intervém o anjo do Senhor que lhe revelou o desígnio de Deus e a sua missão de pai adotivo; e José, homem justo, “toma consigo sua esposa” (Mt 1, 24) e se torna o pai da família de Nazaré.

Cada família precisa do pai. Hoje nos concentremos no valor do seu papel, e gostaria de partir de algumas expressões que se encontram no Livro dos Provérbios, palavras que um pai dirige ao próprio filho, e diz assim: “Filho meu, se o teu coração for sábio, também o meu será cheio de alegria. Exultarei dentro de mim, quando os teus lábios disserem palavras retas” (Pv 23, 15-16). Não se poderia exprimir melhor o orgulho e a comoção de um pai que reconhece ter transmitido ao filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio. Este pai não diz: “Estou orgulhoso de você porque és igual a mim, porque repetes as coisas que eu digo e que eu faço”. Não, não lhe diz simplesmente qualquer coisa. Diz-lhe algo de bem mais importante, que podemos interpretar assim: “Serei feliz toda vez que te ver agir com sabedoria e estarei comovido toda vez que te ouvir falar com retidão. Isso é aquilo que quis te deixar, para que se tornasse uma coisa tua: a atitude de sentir e agir, de falar e julgar com sabedoria e retidão. E para que tu pudesses ser assim, te ensinei coisas que não sabia, corrigi erros que não vias. Fiz você sentir um afeto profundo e ao mesmo tempo discreto, que talvez não reconhecestes plenamente quando eras jovem e incerto. Dei a você um testemunho de rigor e de firmeza que talvez você não entendeu, quando você quis somente cumplicidade e proteção. Precisei eu mesmo, primeiro, colocar-me à prova da sabedoria do coração e vigiar sobre os excessos de sentimento e do ressentimento, para levar o peso das inevitáveis incompreensões e encontrar as palavras certas para me fazer entender. Agora, continua o pai – quando vejo que você procura ser assim com os teus filhos, e com todos, me comovo. Sou feliz de ser teu pai”. É assim que diz um pai sábio, um pai maduro.

Um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta doçura e quanta firmeza. Porém, que consolo e recompensa se recebe quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que redime todo cansaço, que supera toda incompreensão e cura toda ferida.

A primeira necessidade, então, é justamente essa: que o pai seja presença na família. Que seja próximo à mulher, para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças. E que seja próximo aos filhos em seu crescimento: quando brincam e quando se empenham, quando estão despreocupados e quando estão angustiados, quando se exprimem e quando ficam em silêncio, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando reencontram o caminho; pai presente, sempre. Dizer presente não é o mesmo que dizer controlador! Porque os pais muito controladores anulam os filhos, não os deixam crescer.

O Evangelho nos fala do exemplo do Pai que está nos céus – o único, diz Jesus, que pode ser chamado realmente “Pai bom” (cfr Mc 10, 18). Todos conhecem aquela extraordinária parábola chamada do “filho pródigo”, ou melhor, do “pai misericordioso”, que se encontra no Evangelho de Lucas no capítulo 15 (cfr 15, 11-32). Quanta dignidade e quanta ternura na espera daquele pai que está na porta da casa esperando que o filho retorne! Os pais devem ser pacientes. Tantas vezes não há outra coisa a fazer se não esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, magnanimidade, misericórdia.

Um bom pai sabe esperar e sabe perdoar, do fundo do coração. Certo, sabe também corrigir com firmeza: não é um pai frágil, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem degradar é o mesmo que sabe proteger sem se economizar. Uma vez ouvi em uma reunião de matrimônio um pai dizer: “Algumas vezes preciso bater um pouco nos filhos… mas nunca no rosto para não degradá-los”. Que bonito! Tem sentido de dignidade. Deve punir, faz isso de modo justo, e segue adiante.

Portanto, se há alguém que pode explicar até o fundo a oração do “Pai nosso”, ensinada por Jesus, este é justamente quem vive em primeira pessoa a paternidade. Sem a graça que vem do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos precisam encontrar um pai que os espera quando retornam dos seus insucessos. Farão de tudo para não admitir isso, para não deixarem ver, mas precisam; e não encontrar isso abre feridas difíceis de curar.

A Igreja, nossa mãe, é empenhada em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque esses são para as novas gerações protetores e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e na proteção de Deus, como São José.

 

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Grupo de Oracao RCC

Grupo de Oração
O que é o Grupo de Oração?

O Grupo de Oração é a célula fundamental da Renovação Carismática Católica; é o lugar da expectativa e, ao mesmo tempo, da realização da promessa perene de Deus; é cenáculo de Pentecostes dos dias atuais, onde juntamente com Maria nos reunimos em humildade e unânime oração, para que se cumpra a promessa feita tanto para os homens de ontem, quanto para os de hoje: “… acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo” (Joel 3,1a).

O Grupo de Oração da RCC é uma comunidade carismática presente numa diocese, paróquia, capela, colégio, universidade, presídio, empresa, fazenda, condomínio, residência, etc., que cultiva a oração, a partilha, e todos os outros aspectos da vivência do Evangelho, a partir da experiência do batismo no Espírito Santo. Tem na reunião de oração sua expressão principal de evangelização querigmática e que, conforme sua especificidade e mantendo sua identidade, se insere no conjunto de comunhão, participação, obediência e serviço. Pessoas engajadas na RCC, líderes e servos – através de encontros, orações e formação – buscam “fazer acontecer um processo poderoso de renovação espiritual, que transforma a vida pessoal do cristão e todos os seus relacionamentos com Deus, com a família, com a Igreja e a comunidade”¹.

“O objetivo do Grupo de Oração é levar os participantes a experimentar o pentecostes pessoal, a crescer e chegar à maturidade da vida cristã plena do Espírito, segundo os desejos de Jesus: ‘Eu vim para que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundância’ (Jo 10,10b)”². Nesse sentido, caracteriza-se por três momentos distintos, porém interdependentes: núcleo de serviço, reunião de oração e grupo de perseverança.

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Papa Francisco em visita

Multidão lota Catedral de Manila para missa com o papa Francisco Imprimir SEXTA, 16 JANEIRO 2015 11:28 CNBB

“Com a Igreja nas Filipinas que olha para o quinto centenário da sua evangelização, sentimos gratidão pela herança deixada por tantos bispos, vossa comemoração da evangelização das Filipinas”, disse o papa Francisco em missa celebrada na Catedral de Manila, dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, hoje, 16. A atual construção da Catedral das Filipinas possui mais de 50 anos, sendo a oitava versão da igreja construída em 1581, com bambu e folhas de palma. Ao longo dos anos, o tempo sofreu diversas atentados como incêndios, terremotos e bombardeios durante a 2ª Guerra Mundial. Em 1981, foi elevada à Basílica Menor por João Paulo II. Encontro fraterno A celebração na Catedral foi realizada após encontro do papa com as autoridades no Palácio Presidencial em Manila, em cerimônia de boas-vindas. A missa reuniu mais dois mil bispos, religiosos, religiosas e seminaristas. Em sua homilia, o papa disse que o papel dos pastores está radicado no seguimento de Cristo e que a vida consagrada é um sinal do amor de Cristo que leva à reconciliação. “Nós bispos, sacerdotes e religiosos, devemos ser os primeiros a receber a sua graça reconciliadora nos nossos corações. São Paulo deixa claro o que isto significa; significa rejeitar perspectivas mundanas, olhando tudo de novo à luz de Cristo. Confira a homilia na íntegra. “«Tu amas-Me? (…) Apascenta os meus cordeiros» (Jo 21, 15.16). As palavras de Jesus a Pedro, no Evangelho de hoje, são as primeiras palavras que vos dirijo, amados irmãos bispos e sacerdotes, religiosos e religiosas, e jovens seminaristas. Estas palavras recordam-nos algo de essencial. Todo o ministério pastoral nasce do amor. Toda a vida consagrada é um sinal do amor reconciliador de Cristo. Na variedade das nossas vocações, cada um de nós é chamado de alguma forma, como Santa Teresa do Menino Jesus, a ser o amor no coração da Igreja. Com grande afeto vos saúdo e peço para levardes o meu afeto a todos os vossos irmãos e irmãs idosos e doentes e a todos aqueles que hoje não puderam juntar-se a nós. Com a Igreja nas Filipinas que olha para o quinto centenário da sua evangelização, sentimos gratidão pela herança deixada por tantos bispos, vossa comemoração da evangelização das Filipinas. Mas o Evangelho é também uma exortação à conversão, a um exame da nossa consciência, como indivíduos e como povo. Como justamente ensinaram os vossos bispos, a Igreja nas Filipinas é chamada a individuar e combater as causas da desigualdade e injustiça profundamente enraizadas, que desfeiam o rosto da sociedade filipina, contradizendo claramente o ensinamento de Cristo. O Evangelho chama os indivíduos cristãos a conduzirem vidas honestas, íntegras e solícitas pelo bem comum. Mas chama também as comunidades cristãs a criarem «círculos de integridade», redes de solidariedade que possam impelir a abraçar e transformar a sociedade com o seu testemunho profético. Como embaixadores de Cristo, nós, bispos, sacerdotes e religiosos, devemos ser os primeiros a receber a sua graça reconciliadora nos nossos corações. São Paulo deixa claro o que isto significa; significa rejeitar perspectivas mundanas, olhando tudo de novo à luz de Cristo. Isto comporta que sejamos os primeiros a examinar a nossa consciência, reconhecer os nossos falimentos e quedas e embocar o caminho duma contínua conversão. Como poderemos proclamar aos outros a novidade e o poder libertador da Cruz, se nós mesmos não permitirmos que a Palavra de Deus abale o comprazimento em nós próprios, o nosso medo de mudar, os nossos comprometimentos mesquinhos com as modalidades deste mundo, o nosso «mundanismo espiritual» (cf. Evangelii gaudium, 93)? Para nós, sacerdotes e pessoas consagradas, a conversão à novidade do Evangelho implica um encontro diário com o Senhor na oração. Os Santos ensinam-nos que isto é a fonte de todo o zelo apostólico. Para os religiosos, viver a novidade do Evangelho significa encontrar incessantemente na vida da comunidade e nos apostolados da comunidade o incentivo para uma união cada vez mais estreita com o Senhor na caridade perfeita. Para todos nós, isto significa viver de tal forma que espelhemos a pobreza de Cristo, cuja vida estava inteiramente focalizada em fazer a vontade do Pai e servir os outros. Naturalmente, a grande ameaça a isto mesmo é cair num certo materialismo que pode insinuar-se dentro das nossas vidas e comprometer o testemunho que prestamos. Somente o tornar-nos pobres, expulsando o nosso autocomprazimento, permitirá identificar-nos com os últimos dos nossos irmãos e irmãs. Veremos as coisas sob uma nova luz e, deste modo, poderemos responder, com honestidade e integridade, ao desafio de anunciar a radicalidade do Evangelho numa sociedade acostumada à exclusão, à polarização e a uma desigualdade escandalosa. Aqui desejo dirigir uma palavra especial aos jovens sacerdotes, religiosos, e seminaristas presentes. Peço-vos que partilheis a alegria e o entusiasmo do vosso amor por Cristo e pela Igreja com todos, mas sobretudo com os da vossa idade. Mantende-vos presentes no meio dos jovens que possam sentir-se confusos e desanimados, e todavia continuam a ver a Igreja como sua amiga no caminho e uma fonte de esperança. Sede solidários com aqueles que, vivendo no meio duma sociedade molesta pela pobreza e a corrupção, sentem-se com o espírito abatido, tentados a largar tudo, deixar a escola e viver pela estrada. Proclamai a beleza e a verdade do matrimónio cristão a uma sociedade que é tentada por apresentações confusas da sexualidade, do matrimónio e da família. Como sabeis, estas realidades estão cada vez mais sob ataque de forças poderosas que ameaçam desfigurar o plano criador de Deus e trair os verdadeiros valores que inspiraram e moldaram quanto de belo existe na vossa cultura. Na realidade, a cultura filipina foi plasmada pela criatividade da fé. Por todo o lado, os filipinos são conhecidos pelo seu amor a Deus, pela sua piedade fervorosa e a sua ardente e cordial devoção a Nossa Senhora e ao seu terço. Este grande legado contém um forte potencial missionário. É o modo como o vosso povo inculturou o Evangelho e continua a acolher a sua mensagem (cf. Evangelii gaudium, 122). No vosso esforço de preparação para o quinto centenário, construí sobre estas bases sólidas. Cristo morreu por todos a fim de que, mortos n’Ele, não vivamos mais para nós mesmos, mas para Ele (cf. 2 Cor 5, 15). Amados irmãos bispos, sacerdotes e religiosos, rogo a Maria, Mãe da Igreja, que faça jorrar de todos vós uma tal abundância de zelo, que possais gastar-vos abnegadamente ao serviço dos nossos irmãos e irmãs. Possa, assim, o amor reconciliador de Cristo penetrar ainda mais profundamente no tecido da sociedade filipina e, por vosso intermédio, nos ângulos mais distantes do mundo”. CNBB com informações News.va e fotos Rádio Vaticano

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Carta do Arcebispo de São Paulo

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo Aos Bispos Auxiliares Aos Padres, diáconos e religiosos/as Aos leigos/as da Arquidiocese de São Paulo Caríssimos/as, São Paulo, 10.01.2015 Faço votos que todos tenham iniciado bem este novo ano, que acolhemos como um dom da graça de Deus. Enquanto ainda é tempo de férias, escrevo-lhes para convidar a todos a se unirem aos próximos eventos eclesiais, que envolvem nossa Arquidiocese. No dia 25 de janeiro, celebramos na Liturgia a conversão do apóstolo São Paulo. É festa na cidade de São Paulo, que comemora a sua Fundação. E é festa patronal em nossa Arquidiocese, que comemora o seu Patrono. Convido as comunidades paroquiais a preparem esta festa com um tríduo e a celebrarem a festa com solenidade. O dia 25/01, neste ano, é um Domingo; a celebração da Liturgia em todas as igrejas da Arquidiocese deve ser celebrada como “solenidade” da Conversão de São Paulo, conforme também apresenta o Folheto Litúrgico “Povo de Deus em São Paulo”. As paróquias que não usam o Folheto da Arquidiocese, sigam as indicações do Diretório da Liturgia da CNBB: Missa própria, com as leituras indicadas e prefácio dos Apóstolos. Recomendo também que seja usada a fórmula de bênção final prevista para as festas dos Apóstolos. Recomendo introduzir em todas as missas, ao longo do ano, a menção de São Paulo “Padroeiro desta Arquidiocese”, nas Orações Eucarísticas que prevêem essa menção, após a Consagração. No início de fevereiro, teremos as ordenações episcopais dos dois novos bispos auxiliares da Arquidiocese: dia 01 de fevereiro, em Franca, SP, às 09h30, de Dom Devair Araújo da Fonseca; dia 07 de fevereiro, na Catedral da Sé, às 09h30, de Dom Eduardo Vieira dos Santos. Convido todos a rezarem por eles e a participarem, especialmente, da Missa da ordenação na Catedral da Sé, dia 07 de fevereiro, no final da qual os dois novos bispos, também tomarão posse de seu Ofício de Auxiliares da Arquidiocese de São Paulo. Enquanto isso, já nos preparamos para a Campanha da Fraternidade, que será aberta na Quarta-Feira de Cinzas, dia 18 de fevereiro. O tema deste ano – “Fraternidade: Igreja e Sociedade” -, nos convida a voltar ao Concílio Vaticano II, especialmente à Constituição Pastoral Gaudium et Spes. Comemoramos, de fato, os 50 anos da conclusão do Concílio; suas instituições, orientações e propostas para a vida da Igreja continuam válidas e atuais.

Aos Padres, especialmente aos párocos, administradores e vigários paroquiais, quero lembrar e convidar para o nosso encontro de início do ano pastoral: no dia 19 de fevereiro, às 08h30, no auditório do Colégio Agostiniano Mendel, como nos dois anos passados. Será o momento propício para olharmos juntos para os desafios e propósitos que temos pela frente em 2015. O dia 02 de fevereiro é o “Dia da Vida Consagrada”; terei um encontro com os Religiosos/as na Igreja de São Francisco (Largo São Francisco), às 15h00. Neste “Ano da Vida Consagrada”, peço aos Padres para darem especial destaque à Vida Consagrada Religiosa nas suas Comunidades. Precisamos olhar com renovado apreço esse dom do Espírito Santo à Igreja. Anuncio que está sendo elaborada uma Revista para os Atos da Cúria Metropolitana, para que todas as instituições e organizações da nossa Arquidiocese possam seguir melhor, através dessa publicação, os atos oficiais e decisões da Arquidiocese. Espero que, em breve, essa publicação possa chegar à mão de todos. Da mesma forma, o Portal da Arquidiocese está sendo profundamente reformulado para se tornar, em breve, o “ambiente informático” da nossa Igreja Particular de São Paulo. Os trabalhos estão adiantados e espero que os resultados possam aparecer em breve. Enquanto isso, convido a visitar o “site” atual – www.arquidiocesedesaopaulo.org.br), onde se encontra também o calendário pastoral da Arquidiocese de 2015; assim podem acompanhar a agenda e informar-se sobre as questões que mais lhes dizem respeito. Sem mais, aproveito a ocasião para saudá-los e para lhes desejar um bom ano, rico das bênçãos de Deus, de iniciativas e de frutos na evangelização.

Deus os guarde no seu amor e na sua paz! Card.

Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo

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Papa diz que “é grande a necessita que o mundo tem ternura”

 

CNBB Papa diz que “é grande a necessita que o mundo tem ternura” QUINTA, 25 DEZEMBRO 2014 11:37 CNBB Ao presidir a missa da vigília de Natal, na noite desta quarta-feira, 24 de dezembro, na Basílica de S. Pedro, o papa Francisco disse que “é grande a necessidade que o mundo tem de ternura”. Leia, na íntegra, a homilia do papa.   Solenidade do Natal do Senhor Homilia do Papa Francisco   Basílica Vaticana Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014   «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles» (Is 9, 1). «Um anjo do Senhor apareceu [aos pastores], e a glória do Senhor refulgiu em volta deles» (Lc 2, 9). É assim que a Liturgia desta santa noite de Natal nos apresenta o nascimento do Salvador: como luz que penetra e dissolve a mais densa escuridão. A presença do Senhor no meio do seu povo cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria. Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus atravessando as trevas que envolvem a terra, mas guiados pela chama da fé que ilumina os nossos passos e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte. A origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a mão de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irmão Abel (cf. Gn 4, 8). Assim, o curso dos séculos tem sido marcado por violências, guerras, ódio, prepotência. Mas Deus, que havia posto suas expectativas no homem feito à sua imagem e semelhança, esperava. Deus esperava. O tempo de espera fez-se tão longo que a certo momento, quiçá, deveria renunciar; mas Ele não podia renunciar, não podia negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). Por isso, continuou a esperar pacientemente face à corrupção de homens e povos. A paciência de Deus… Como é difícil compreender isto: a paciência de Deus para conosco! Ao longo do caminho da história, a luz que rasga a escuridão revela-nos que Deus é Pai e que a sua paciente fidelidade é mais forte do que as trevas e do que a corrupção. Nisto consiste o anúncio da noite de Natal. Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência; permanece lá, como o pai da parábola do filho pródigo, à espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido; e todos os dias, com paciência. A paciência de Deus! A profecia de Isaías anuncia a aurora de uma luz imensa que rasga a escuridão. Ela nasce em Belém e é acolhida pelas mãos amorosas de Maria, pelo afeto de José, pela maravilha dos pastores. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento do Redentor, fizeram-no com estas palavras: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). O «sinal» é precisamente a humildade de Deus, a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez. Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir. Como acolhemos a ternura de Deus? Deixo-me alcançar por Ele, deixo-me abraçar, ou impeço-Lhe de aproximar-Se? «Oh não, eu procuro o Senhor!» – poderíamos replicar. Porém a coisa mais importante não é procurá-Lo, mas deixar que seja Ele a procurar-me, a encontrar-me e a cobrir-me amorosamente das suas carícias. Esta é a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presença: permito a Deus que me queira bem? E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais, talvez eficientes mas desprovidas do calor do Evangelho? Quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! Paciência de Deus, proximidade de Deus, ternura de Deus. A resposta do cristão não pode ser diferente da que Deus dá à nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansidão. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, não podemos deixar de Lhe abrir o nosso coração pedindo-Lhe: «Senhor, ajudai-me a ser como Vós, concedei-me a graça da ternura nas circunstâncias mais duras da vida, dai-me a graça de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a graça da mansidão em qualquer conflito». Queridos irmãos e irmãs, nesta noite santa, contemplamos o presépio: nele, «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Viram-na as pessoas simples, as pessoas dispostas a acolher o dom de Deus. Pelo contrário, não a viram os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem as leis segundo os próprios critérios pessoais, aqueles que assumem atitudes de fechamento. Contemplemos o presépio e façamos este pedido à Virgem Mãe: «Ó Maria, mostrai-nos Jesus!» Ao presidir a missa da vigília de Natal, na noite desta quarta-feira, 24 de dezembro, na Basílica de S. Pedro, o papa Francisco disse que “é grande a necessidade que o mundo tem de ternura”. Leia, na íntegra, a homilia do papa.   Solenidade do Natal do Senhor Homilia do Papa Francisco   Basílica Vaticana Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014   «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles» (Is 9, 1). «Um anjo do Senhor apareceu [aos pastores], e a glória do Senhor refulgiu em volta deles» (Lc 2, 9). É assim que a Liturgia desta santa noite de Natal nos apresenta o nascimento do Salvador: como luz que penetra e dissolve a mais densa escuridão. A presença do Senhor no meio do seu povo cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria. Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus atravessando as trevas que envolvem a terra, mas guiados pela chama da fé que ilumina os nossos passos e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte. A origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a mão de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irmão Abel (cf. Gn 4, 8). Assim, o curso dos séculos tem sido marcado por violências, guerras, ódio, prepotência. Mas Deus, que havia posto suas expectativas no homem feito à sua imagem e semelhança, esperava. Deus esperava. O tempo de espera fez-se tão longo que a certo momento, quiçá, deveria renunciar; mas Ele não podia renunciar, não podia negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). Por isso, continuou a esperar pacientemente face à corrupção de homens e povos. A paciência de Deus… Como é difícil compreender isto: a paciência de Deus para conosco! Ao longo do caminho da história, a luz que rasga a escuridão revela-nos que Deus é Pai e que a sua paciente fidelidade é mais forte do que as trevas e do que a corrupção. Nisto consiste o anúncio da noite de Natal. Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência; permanece lá, como o pai da parábola do filho pródigo, à espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido; e todos os dias, com paciência. A paciência de Deus! A profecia de Isaías anuncia a aurora de uma luz imensa que rasga a escuridão. Ela nasce em Belém e é acolhida pelas mãos amorosas de Maria, pelo afeto de José, pela maravilha dos pastores. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento do Redentor, fizeram-no com estas palavras: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). O «sinal» é precisamente a humildade de Deus, a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez. Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir. Como acolhemos a ternura de Deus? Deixo-me alcançar por Ele, deixo-me abraçar, ou impeço-Lhe de aproximar-Se? «Oh não, eu procuro o Senhor!» – poderíamos replicar. Porém a coisa mais importante não é procurá-Lo, mas deixar que seja Ele a procurar-me, a encontrar-me e a cobrir-me amorosamente das suas carícias. Esta é a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presença: permito a Deus que me queira bem? E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais, talvez eficientes mas desprovidas do calor do Evangelho? Quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! Paciência de Deus, proximidade de Deus, ternura de Deus. A resposta do cristão não pode ser diferente da que Deus dá à nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansidão. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, não podemos deixar de Lhe abrir o nosso coração pedindo-Lhe: «Senhor, ajudai-me a ser como Vós, concedei-me a graça da ternura nas circunstâncias mais duras da vida, dai-me a graça de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a graça da mansidão em qualquer conflito». Queridos irmãos e irmãs, nesta noite santa, contemplamos o presépio: nele, «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Viram-na as pessoas simples, as pessoas dispostas a acolher o dom de Deus. Pelo contrário, não a viram os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem as leis segundo os próprios critérios pessoais, aqueles que assumem atitudes de fechamento. Contemplemos o presépio e façamos este pedido à Virgem Mãe: «Ó Maria, mostrai-nos Jesus!» Ao presidir a missa da vigília de Natal, na noite desta quarta-feira, 24 de dezembro, na Basílica de S. Pedro, o papa Francisco disse que “é grande a necessidade que o mundo tem de ternura”. Leia, na íntegra, a homilia do papa.   Solenidade do Natal do Senhor Homilia do Papa Francisco   Basílica Vaticana Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014   «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles» (Is 9, 1). «Um anjo do Senhor apareceu [aos pastores], e a glória do Senhor refulgiu em volta deles» (Lc 2, 9). É assim que a Liturgia desta santa noite de Natal nos apresenta o nascimento do Salvador: como luz que penetra e dissolve a mais densa escuridão. A presença do Senhor no meio do seu povo cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria. Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus atravessando as trevas que envolvem a terra, mas guiados pela chama da fé que ilumina os nossos passos e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte. A origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a mão de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irmão Abel (cf. Gn 4, 8). Assim, o curso dos séculos tem sido marcado por violências, guerras, ódio, prepotência. Mas Deus, que havia posto suas expectativas no homem feito à sua imagem e semelhança, esperava. Deus esperava. O tempo de espera fez-se tão longo que a certo momento, quiçá, deveria renunciar; mas Ele não podia renunciar, não podia negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). Por isso, continuou a esperar pacientemente face à corrupção de homens e povos. A paciência de Deus… Como é difícil compreender isto: a paciência de Deus para conosco! Ao longo do caminho da história, a luz que rasga a escuridão revela-nos que Deus é Pai e que a sua paciente fidelidade é mais forte do que as trevas e do que a corrupção. Nisto consiste o anúncio da noite de Natal. Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência; permanece lá, como o pai da parábola do filho pródigo, à espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido; e todos os dias, com paciência. A paciência de Deus! A profecia de Isaías anuncia a aurora de uma luz imensa que rasga a escuridão. Ela nasce em Belém e é acolhida pelas mãos amorosas de Maria, pelo afeto de José, pela maravilha dos pastores. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento do Redentor, fizeram-no com estas palavras: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). O «sinal» é precisamente a humildade de Deus, a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez. Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir. Como acolhemos a ternura de Deus? Deixo-me alcançar por Ele, deixo-me abraçar, ou impeço-Lhe de aproximar-Se? «Oh não, eu procuro o Senhor!» – poderíamos replicar. Porém a coisa mais importante não é procurá-Lo, mas deixar que seja Ele a procurar-me, a encontrar-me e a cobrir-me amorosamente das suas carícias. Esta é a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presença: permito a Deus que me queira bem? E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais, talvez eficientes mas desprovidas do calor do Evangelho? Quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! Paciência de Deus, proximidade de Deus, ternura de Deus. A resposta do cristão não pode ser diferente da que Deus dá à nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansidão. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, não podemos deixar de Lhe abrir o nosso coração pedindo-Lhe: «Senhor, ajudai-me a ser como Vós, concedei-me a graça da ternura nas circunstâncias mais duras da vida, dai-me a graça de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a graça da mansidão em qualquer conflito». Queridos irmãos e irmãs, nesta noite santa, contemplamos o presépio: nele, «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Viram-na as pessoas simples, as pessoas dispostas a acolher o dom de Deus. Pelo contrário, não a viram os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem as leis segundo os próprios critérios pessoais, aqueles que assumem atitudes de fechamento. Contemplemos o presépio e façamos este pedido à Virgem Mãe: «Ó Maria, mostrai-nos Jesus!»

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Paz para nossas crianças vítimas da violência

Papa pede pela paz e pelas crianças vítimas da violência

 CNBB

Na tradicional mensagem Urbi et orbi, o papa Francisco chamou a atenção para os refugiados de todo o mundo. Pediu paz ao Oriente Médio, à Ucrânia e aos países africanos que sofrem com os inúmeros conflitos. Lembrou ainda das crianças vítimas de todo tipo de violência. “Que o poder de Cristo, que é libertação e serviço, se faça sentir a tantos corações que sofrem guerras, perseguições, escravidão “, pediu Francisco. Leia, na íntegra, a mensagem.

 

Mensagem Urbi et Orbi

Natal 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom Natal!

Jesus, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, nasceu para nós. Nasceu em Belém de uma virgem, dando cumprimento às profecias antigas. A virgem chama-se Maria; o seu esposo, José.

São as pessoas humildes, cheias de esperança na bondade de Deus, que acolhem Jesus e O reconhecem. Assim o Espírito Santo iluminou os pastores de Belém, que acorreram à gruta e adoraram o Menino. E mais tarde o Espírito guiou até ao templo de Jerusalém Simeão e Ana, humildes anciãos, e eles reconheceram em Jesus o Messias. «Meus olhos viram a salvação – exclama Simeão – que ofereceste a todos os povos» (Lc 2, 30-31).

Sim, irmãos, Jesus é a salvação para cada pessoa e para cada povo!

A Ele, Salvador do mundo, peço hoje que olhe para os nossos irmãos e irmãs do Iraque e da Síria que há tanto tempo sofrem os efeitos do conflito em curso e, juntamente com os membros de outros grupos étnicos e religiosos, padecem uma perseguição brutal. Que o Natal lhes dê esperança, como aos inúmeros desalojados, deslocados e refugiados, crianças, adultos e idosos, da Região e do mundo inteiro; mude a indiferença em proximidade e a rejeição em acolhimento, para que todos aqueles que agora estão na provação possam receber a ajuda humanitária necessária para sobreviver à rigidez do inverno, retornar aos seus países e viver com dignidade. Que o Senhor abra os corações à confiança e dê a sua paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra abençoada do seu nascimento, sustentando os esforços daqueles que estão ativamente empenhados no diálogo entre Israelitas e Palestinos.

Jesus, Salvador do mundo, olhe para quantos sofrem na Ucrânia e conceda àquela amada terra a graça de superar as tensões, vencer o ódio e a violência e embocar um caminho novo de fraternidade e reconciliação.

Cristo Salvador dê paz à Nigéria, onde – mesmo nestas horas – mais sangue foi derramado e muitas pessoas se encontram injustamente subtraídas aos seus entes queridos e mantidas reféns ou massacradas. Invoco paz também para outras partes do continente africano. Penso de modo particular na Líbia, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e nas várias regiões da República Democrática do Congo; e peço a quantos têm responsabilidades políticas que se empenhem, através do diálogo, a superar os contrastes e construir uma convivência fraterna duradoura.

Jesus salve as inúmeras crianças vítimas de violência, feitas objeto de comércio ilícito e tráfico de pessoas, ou forçadas a tornar-se soldados; crianças, tantas crianças vítimas de abuso. Dê conforto às famílias das crianças que, na semana passada, foram assassinadas no Paquistão. Acompanhe todos os que sofrem pelas doenças, especialmente as vítimas da epidemia de ébola, sobretudo na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Ao mesmo tempo que do íntimo do coração agradeço àqueles que estão trabalhando corajosamente para assistir os doentes e os seus familiares, renovo um premente apelo a que sejam garantidas a assistência e as terapias necessárias.

Jesus Menino. Penso em todas as crianças assassinadas e maltratadas hoje, seja naquelas que o são antes de ver a luz, privadas do amor generoso dos seus pais e sepultadas no egoísmo de uma cultura que não ama a vida; seja nas crianças desalojadas devido às guerras e perseguições, abusadas e exploradas sob os nossos olhos e o nosso silêncio cúmplice; seja ainda nas crianças massacradas nos bombardeamentos, inclusive onde o Filho de Deus nasceu. Ainda hoje o seu silêncio impotente grita sob a espada de tantos Herodes. Sobre o seu sangue, estende-se hoje a sombra dos Herodes do nosso tempo. Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal que se juntam às lágrimas de Jesus Menino!

Queridos irmãos e irmãs, que hoje o Espírito Santo ilumine os nossos corações, para podermos reconhecer no Menino Jesus, nascido em Belém da Virgem Maria, a salvação oferecida por Deus a cada um de nós, a todo o ser humano e a todos os povos da terra. Que o poder de Cristo, que é libertação e serviço, se faça sentir a tantos corações que sofrem guerras, perseguições, escravidão. Que este poder divino tire, com a sua mansidão, a dureza dos corações de tantos homens e mulheres imersos no mundanismo e na indiferença, na globalização da indiferença. Que a sua força redentora transforme as armas em arados, a destruição em criatividade, o ódio em amor e ternura. Assim poderemos dizer com alegria: «Os nossos olhos viram a vossa salvação».

Com estes pensamentos, a todos bom Natal!

 

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